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Aplicativos celulares e atividade física: a tecnologia é feita para os idosos?

Aplicativos celulares e atividade física: a tecnologia é feita para os idosos?

O mundo está envelhecendo”. Essa talvez seja uma das frases mais utilizadas nos últimos tempos. Podemos tirar muita informação da sentença, vamos lá:

  • Alterações político-econômicas têm sido guiadas pelo envelhecimento populacional mundial;
  • A legislação teve que se ajustar para atender às novas perspectivas com base na expectativa de vida;
  • Com o avanço tecnológico, toda uma geração que pouco sabia sobre computadores na sua juventude teve que se adaptar aos aplicativos celulares para acessar as contas de banco, para se comunicar com familiares e amigos ou ainda para chamar o “velho” conhecido táxi.

Com a atividade física, isso não foi diferente. Softwares inteligentes facilitaram a gestão nas academias, automatizando a montagem dos treinos de seus clientes e trazendo mais dinamismo na prática profissional do professor. Atualmente, existem mais de 40 mil aplicativos classificados como “saúde e fitness” disponibilizados nas plataformas on-line, e o número de pesquisas referentes ao uso de aplicativos celulares que promovem a prática de atividade física tende a aumentar.

Toda essa tecnologia auxilia na motivação para o exercício físico, por meio de sistemas como pedômetros (fazem a contagem dos passos), calorômetros (fazem a contagem das calorias) e acelerômetros (quantificam o movimento realizado e estipulam metas individuais), que podem ter seus dados compartilhados entre os usuários dos apps, estimulando a interação social.

Neste cenário de democratização tecnológica, muitas vezes nem percebemos se os idosos têm facilidade para utilizar as ferramentas ou se estamos impondo mais uma barreira para que eles não sejam ativos fisicamente. Pois é, mesmo com todo esse avanço não há consenso científico sobre o que deve estar e o que não deve estar contido em um aplicativo de saúde que favoreça o uso entre usuários de idade avançada. As características negativas mais relatadas sobre os apps atuais são:

  • Letras pequenas;
  • Tamanho da tela;
  • Falta de utilização de cores;
  • Excesso de funções;
  • Passo a passo desnecessário.

Considerando que ao passar dos anos nos tornamos menos ativos e cada vez mais dependentes da tecnologia no dia a dia, faz-se necessário a elaboração de aplicativos que sejam amigáveis aos idosos.

Os primeiros passos estão sendo dados, os desenvolvedores e pesquisadores têm utilizado os próprios idosos para auxiliarem na elaboração das novas tecnologias, fazendo testes e dando sugestões. Eles opinam sobre o que pode ser um facilitador ou o que pode ser uma barreira na utilização adequada do aplicativo —funcionalidades que, de fato, promovam a atividade física nessa faixa etária tão importante.

Se olharmos da perspectiva de uma geração que na infância brincava nas ruas, em que videogames e celulares passavam longe das pessoas, percebemos que embora disponíveis para a grande maioria, nem sempre as tecnologias são adequadas aos idosos. Portanto, não basta ter acesso às novas tecnologias se as configurações e características não se adequarem à realidade desse público. Se isso não acontecer, essas pessoas serão levadas a um processo de exclusão, quando o objetivo deveria ser inclui-las.

Por Rafael Luciano de Mello *
Jornal do Brasil

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* Professor dos cursos de licenciatura e de bacharelado em Educação Física do Centro Universitário Internacional Uninter

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