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Homenagem

Dr. Oscar de Barros Serra Dória

Os 100 anos do nascimento de um mestre da nossa medicina

Referência nacional e internacional em medicina, o querido pai do Dr. Marcelo Dória completaria 100 anos este ano. As palavras tornam-se pobres e obscuras para expressar tão rica trajetória, mas vamos traçar aqui uma pequena, mas justa homenagem a este exemplo de homem público e profissional, que foi protagonista na transformação de Rio Preto em referência em medicina.

Nascido em 25 de julho de 1917, formou-se pela Faculdade Federal de Medicina de Minas Gerais em 1944 e foi titulado especialista em Cirurgia Geral pela Associação Paulista de Medicina e Associação Brasileira de Medicina em 1963. No ano seguinte, começou a atuar em Rio Preto como assistente do seu tio, o médico Cenobelino de Barros Serra. Trabalhou ao lado também do irmão, Tácio Dória. Foi membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões e do Fellow do International College of Surgeons, além de membro da Academia de Medicina de São Paulo, em 1976.

Nos 46 anos de atuação em Medicina:
• Realizou mais de 20 mil cirurgias;
• Publicou 33 trabalhos científicos em revistas especializadas brasileiras e internacionais;
• É um nome conhecido internacionalmente por ter criado a técnica cirúrgica do megaesôfago*;
• Criou a técnica cirúrgica de neobexiga retal, entre outras;
• Foi médico chefe do Departamento de Cirurgia e da Clínica de Cirurgia Geral da Santa Casa de Rio Preto.

Apesar de nunca ter assumido um cargo oficial na Santa Casa teve papel relevante no progresso do hospital. Receptivo, foi o grande incentivador da vinda de novos médicos para Rio Preto. Ao completar 40 anos de Santa Casa recebeu o Bisturi de Ouro dos médicos locais.

Operava todos os dias, clinicava e desenvolvia trabalhos científicos, participava de congressos, era sempre o primeiro a assinar o livro de presença diária dos médicos da Santa Casa. Até hoje a primeira linha do livro, que fica na portaria, é deixada em branco em sua memória. Num de seus discursos disse: “A Santa Casa é o prolongamento de minha alma-máter, a Faculdade de Medicina de Belo Horizonte”.

Técnica cirúrgica do megaesôfago*

Dr. Oscar de Barros Serra Dória é um nome conhecido mundialmente por ter criado uma técnica cirúrgica do megaesôfago, também chamada de estenose de esôfago, que, a partir de então, passou a garantir que o paciente tivesse chances de sobreviver e uma qualidade de vida que as demais técnicas existentes no restante do mundo não possibilitavam.

Em uma época em que o país sofria com a doença de Chagas, Dr. Oscar Dória desenvolveu esta técnica cirúrgica para tratamento do megaesôfago chagásico, que tinha altíssimo índice de complicações e mortalidade. Muitos mestres e renomados professores vinham até Rio Preto para aprender como executá-la.

A técnica, conhecida como Técnica Serra Dória, é usada em todo o mundo até hoje, sendo facilmente executada pelos cirurgiões de cavidade abdominal.

Referência em Medicina

Atuação fundamental na transformação de Rio Preto como referência em Medicina

Além da sua atuação salvando milhares de vidas, coube a ele a idealização e a dedicação para criar o então chamado Hospital das Clínicas S/A (do qual foi um dos acionistas e primeiro presidente), atual Hospital de Base, que leva seu nome: Hospital de Base “Dr. Oscar de Barros Serra Dória”, e instalar a faculdade de medicina em Rio Preto.

Em 19 de janeiro de 1999, a irmandade da Santa Casa decidiu por unanimidade oficialmente assim denominar o hospital. O documento a irmandade relembra os feitos do médico:

“São constantemente lembradas sua atuação, que diríamos sacerdotal, como médico de renome internacional; sua visão de futuro responsabilizando-se pela construção do edifício que hoje abriga o Hospital de Base, escola da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, em época em que o município procurava tornar-se centro universitário de respeito e atuação como cidadão prestante e benemérito, sempre pronto a participar das lutas em favor do desenvolvimento municipal e da melhoria de vida de sua população”.

Não se ausentou dos assuntos políticos, pois como afirmava, não poderia se afastar dos problemas sociais e políticos no nosso país. Dotado de imutável compostura, era incapaz de fazer qualquer concessão em assuntos que dissessem respeito à honestidade. Para ele, ética era ética. Não apenas para ser citada, mas praticada.

Reverenciado pela classe médica nunca deixou sua simplicidade de lado. Trabalhou durante mais de 25 anos operando pacientes pobres gratuitamente na enfermaria da Santa Casa, em uma época que não existia assistência social dos governos. Ajudou muitos médicos recém-formados em procedimentos que estes não sabiam como resolver. A moderação e o equilíbrio eram nele marcantes. Não cultivava hobbies, o seu era trabalho.

A dedicação que dispensava a cada paciente fez com que fosse adorado por quem necessitasse do médico, admirado pelos colegas de trabalho e um exemplo para a medicina. Era considerado um homem raro, médico brilhante. Em 1968 recebeu o Diploma de Reconhecimento Público pelos muitos serviços prestados à ciência e à comunidade. Apesar de avesso a receber honrarias, dada sua formação e caráter de prestar serviços e fazer o bem com discrição. Com a presença de políticos, médicos, amigos, autoridades e familiares, como os filhos, acadêmicos de medicina à época, Dr. Oscar Marcelo e Dr. Oscar Ricardo e a esposa Sra. Maria Dória. Na casa onde morou grande parte de sua vida foi construído um edifício com o seu nome, ele ainda é nome de rua no Jardim Panorama e na alameda em frente ao clube dos médicos e nome de escola no bairro Solo Sagrado.

Dr. Oscar Dória, cidadão benemérito de Rio Preto faleceu em 18 de janeiro de 1989, de enfarto do miocárdio, permanecendo vivo no coração de familiares, amigos, colegas de profissão, pacientes e rio-pretenses.

Dr. Oscar Dória na Vida Pública

Algumas passagens interessantes de sua vida pública

• Amparou colegas perseguidos pela repressão no golpe de 64, de alguns salvou a vida, como no caso do médico Dr. Alberto Senra que para impedir que a repressão o alcançasse e, possivelmente, o matasse, resolveu internar na Santa Casa de Rio Preto o amigo.

• Em um dado momento, após Franco Montoro se eleger governador, este perguntou-lhe: “Qual cargo deseja ocupar?”.Dr. Oscar sintetizou: “Nenhum”.

• Na região e nos Estados limítrofes, casos complicados e considerados “insolúveis” tinham destino certo, Dr. Oscar Dória.

• Vida dividida entre o consultório e a pesquisa, usou seu tempo de lazer para a participação política, comparecendo às reuniões do PMDB que fundou, ficha de filiação número 1 de 10 de setembro de 1980, isso depois de participar do MDB. Partido que deixou quando viu naufragadas suas ideologias. Como membro destacado do diretório, nunca reivindicou nada para si, cargos, nomeações, vagas de candidato. Foi companheiro de chapa uma única vez para ajudar o partido. Ao se distanciar do PMDB, continuou a militância política: antes de todas as eleições tinha sobre a mesa do consultório folhetos de candidatos que julgava dignos de ocupar os postos que pleiteavam.

• Recebeu inúmeros títulos, num total de 38. Os últimos a receber foram o Título de Cidadão Cedralense e o de Membro da Academia Paulista de Medicina.

• Ex-interno da Santa Casa de Belo Horizonte, esteve a serviço do médico Juscelino Kubitschek de Oliveira.

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